sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Personalia - D. Jerónimo de Azevedo

Reprodução de aguarela realizada em Goa entre 1893 e '95
D. Jerónimo de Azevedo (não tenho data de nascimento - morreu em 1625)
Natural do Porto, filho de D. Emanuel e Dona Violante, irmão mais novo do beato Inácio de Azevedo (morreu martirizado em 1570 ao largo das Canárias depois do ataque do pirata huguenote Jacques Soria).

20º Vice-rei de Goa - D. Jerónimo de Azevedo, é uma personagem histórica que faz parte do romance "1613", sendo ele, historicamente, quem manda prender D. Manuel Álvares, um dos herois da obra referida.

Para esse trabalho, na parte que refere a ilha Solor e Goa, foram utilizadas as informações do Comandante Humberto Leitão na sua obra "Os Portugueses em Solor e Timor de 1515 a 1702" de 1948 - capítulo XII, pág. 121 e seguintes.

Durante os cerca de cinco anos que reina em Goa, entre outros acontecimentos em investigação, esta personagem protagoniza acções em Madagascar e no Ceilão.

Em relação a Madagascar há referência a um navio que partiu em busca de naufragos que estivessem a salvo na referida ilha.

Leia-se em http://www.iict.pt/publicacoes/catalogo/pagpbl/vpbl03.asp?c_col=901&c_num=117 a seguinte nota:

"No ano de 1613, por determinação do vice-rei D. Jerónimo de Azevedo, largou de Goa para a ilha de São Lourenço - hoje Madagascar - a caravela Nossa Senhora da Esperança, onde ia por capitão o conceituado piloto Paulo Rodrigues da Costa, especialmente incumbido de proceder a minucioso reconhecimento das costas daquela ilha, ao mesmo tempo ir investigando se lá havia portugueses de navios que tinham desaparecido em viagens de ida ou regresso nos caminhos da Índia, ou descendentes deles, e, finalmente, indagar das possibilidades de trazes à fé cristã as gentes que lá viviam.

Assim são os seguintes, os documentos transcritos neste nosso trabalho:- Diário da Viagem da Caravela Nossa Senhora da Esperança Mandada ao Descobrimento da Ilha de São
LOurenço pelo vice-rei D. Jerónimo de Azevedo em 1613;- Relação da Jornada e Descobrimento da Ilha de São Lourenço que o Vice-rei da Índia D. Jerónimo de
Azevedo Mandou Fazer por Paulo Rodrigues da Costa Capitão e Descobridor;- Carta de Paulo Rodrigues da Costa, aescrita a el-Rei D. Filipe IIº, de Portugal;- Carta de el-Rei D. Filipe IIº, de Portugal dirigida ao Vice-rei D. Jerónimo de Azevedo;- Relação do 2º descobrimento que o Sºr Vice-Rey Dom Jerónimo d'Azevedo mandou fazer à Ilha de São
Lourenço o ano de 1616;- Roteiro da Costa Ocidental da Ilha de S. Lourenço, redigido pelo Pe. Jesuíta Luís Mariano."

Em relação a Ceilão em 1596/97, depois da morte em Colombo do rei Darmona Pala Astâna (Dharmapala último imperador de Cota), também registado na história com o nome cristão de D. João Dharmapala, há um episódio digno de nota.

Leia-se na página 1010 da digitalização Google Book do livro "The Temporal and Spiritual Conquest of Ceylon" de Fernao De Queyroz a descrição do desvio de valores da real fazenda.

Ao que parece, D. Jerónimo terá ficado com a herança de Ceilão em proveito próprio e não em nome de D. Filipe III de Espanha.

Segundo "Short History of Ceylon" By Humphrey William Codrington, D. Jerónimo de Azevedo terá sido Governador de Ceilão de 1594 a 1613. Porquê esta data de '13, quando ele é governador de Goa até 1617?

O 20º Vice-rei de Goa (D. Jerónimo de Azevedo) está registado nas datas 1612-1617... mas Hermano Saraiva no Dicionário de Personalidades coloca as datas de 1611 a 1618.

Leia-se:

Jerónimo de Azevedo"Fidalgo (?-Lisboa, 1625). De ilustre família portuense e irmão do beato Inácio de Azevedo, serviu a pátria longos anos no Oriente. No Ceilão, o príncipe local, ao morrer, em 1596, deixou-lhe o reino em herança. Por suspeitas de ter enriquecido indevidamente, ao regressar ao reino, no fim da vida, foi preso e os seus bens confiscados. Foi vice-rei da Índia de 1611 a 1618."

(in “História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004)

IPPAR (http://www.ippar.pt/sites_externos/bajuda/htm/catalg/india/indfr.htm)DOCUMENTAÇÃO RELATIVA AO ÍNDICO - ÍNDICE ONOMÁSTICO E IDEOGRÁFICOAzevedo, D. Jerónimo de, capitão-geral de Ceilão, 527, 910, 937, 940; idem, devassa do vice-rei da Índia, 950, 951

Haverá dois Jerónimos? Ou esta devassa tem outro sentido?

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In 1597 the Portuguese had begun to fortify Galle. On 27 May 1597, King Dom João Dharmapala died at Colombo without heirs and, in accordance with his will, his kingdom was donated to King of Portugal.
Thus, King Philip I of Portugal was proclaimed King of Ceylon, and the whole of the territory of the Kingdom of Kotte was thus under the control of the Portuguese; only Kandy was still not under Portuguese rule.

in http://en.wikipedia.org/wiki/Portuguese_Ceylon#Colombo_becomes_the_capital

Nesta referência pode-se considerar haver uma pista para descobrir a razão da prisão de Jerónimo de Azevedo; usurpação do reino de ceilão em seu nome e não no de Filipe III de Espanha.

Segundo dados do comandante António Marques Esparteiro:
Em finais de 1617 saiu de Lisboa uma armada onde se incluída a nau N.S. da Penha de França (18 rumos, custou 25:000:000 reis e foi armada por Henrique Gomes da Costa). Foi nau capitânia do Vice-Rei D. João Coutinho. Quando a nau Penha de França regressou, consideremos um ano: Dezembro de 1618 estaria a entrar na barra de Lisboa, trazendo a bordo, já sob prisão, o Vice-Rei D. Jerónimo de Azevedo. Portanto as acusações teriam sido feitas em Goa no ano de sucessão de D. João Coutinho.

Segundo o Compêndio Universal, pág. 47, D. Jerónimo de Azevedo terá morrido na prisão do Castelo de S. Jorge em 1625.

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notas para pesquisar:

http://www.ippar.pt/sites_externos/bajuda/htm/catalg/india/ind05.htm

527. [s. d.: séc. XVII]

Regimento [extracto do] que o capitão-geral de Ceilão, D. Jerónimo de Azevedo, deu a um capitão que enviou à fortaleza de Galle.

(Regimentos, Instruções e Resoluções pertencentes à Índia e mais conquistas, principalmente do tempo do vice-rei de Portugal D. Pedro de Castilho, séc. XVI-XVII, fl. 294)

Cod. 51-VII-11


910. [1612-1617]

“Respostas que da Dom Jeronimo de Azevedo Visorey 1612-1617, que foi das Jndias Orientais aos 23 cargos a que lhe mandaraõ Responder, Vai trasladado o cargo e logo a Resposta, e no fim dellas se Responde ao Jntroito dos cargos”

(Miscelânea Ultramarina, n.º 18, fls. 146-186)

Cod. 51-VII-27


937. 1613 Janeiro 25, Lisboa

Carta régia de [D. Filipe II], ao vice-rei da Índia, [D. Jerónimo de Azevedo], pela qual ordena se dê o apoio de que necessitar Belchior Rodrigues, capitão da caravela “N. Sr.ª dos Remédios”.

(Regimentos, Instruções e Resoluções pertencentes à Índia e mais conquistas, principalmente do tempo do vice-rei de Portugal D. Pedro de Castilho, séc. XVI-XVII, n.º 48, fl. 159)

Cod. 51-VII-11


940. 1613 Fevereiro 16, Madrid

Carta do marquês de Castelo-Rodrigo, Cristóvão de Moura, ao [bispo de Leiria], vice-rei [de Portugal, D. Pedro de Castilho], sobre Henrique de Montford, francês, que de Portugal foi à Índia por terra, e de lá veio preso para o Limoeiro, por ordem do vice-rei D. Jerónimo de Azevedo, e depois foi solto a instância dos reis de França, o qual reclama os diamantes que trazia consigo.

(Do Governo de Portugal. Cartas do marquês de Castel-Rodrigo para o bispo D. Pedro de Castilho, inquisidor-geral e presidente do Paço, n.º 37, fl. 75)

Cod. 51-VIII-14


950. 1613 Maio 25, Lisboa

Carta do [vice-rei de Portugal], bispo de Leiria, D. Pedro de Castilho, [ao meirinho-mor, conde de Sabugal, D. Francisco de Castelo Branco], sobre a devassa do vice-rei da Índia, D. Jerónimo de Azevedo, e o descaminho das fazendas das naus da Índia.

(Do Governo de Portugal. Cartas do conde de Sabugal para o bispo D. Pedro de Castilho vice-rei e presidente do Paço; e as respostas do bispo, n.º 29, fls. 45-46)

Cod. 51-VIII-15


951. 1613 Maio 28, Madrid

Carta do meirinho-mor, conde [de Sabugal, D. Francisco de Castelo Branco], [ao vice-rei de Portugal, bispo D. Pedro de Castilho], sobre a devassa do vice-rei da Índia D. Jerónimo de Azevedo, que tira Fernão Cabral.

(Do Governo de Portugal. Cartas do conde de Sabugal para o bispo D. Pedro de Castilho vice-rei e presidente do Paço; e as respostas do bispo, n.os 161 e 162)

Cod. 51-VIII-15


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